O FEMA – Festival de La Rochelle Cinéma prestou homenagem a Regina Pessoa e Abi Feijó, e dedicou uma sessão a seis curtas-metragens de realizadoras portuguesas.
O cinema de animação português teve lugar de destaque na programação da 54.ª edição do Festival La Rochelle Cinéma (FEMA), um dos festivais de cinema mais antigos de França.
Fiel à sua filosofia não competitiva, o festival que decorreu entre 26 de junho e 4 de julho 2026 dedicou um duplo tributo à animação portuguesa: uma homenagem a dois dos seus autores fundadores e uma mostra da nova geração de realizadoras. Ambas as iniciativas contaram com filmes do catálogo da Agência da Curta Metragem.
Retrospetiva dedicada a Regina Pessoa e Abi Feijó
O primeiro eixo do programa foi uma retrospetiva à obra dos dois realizadores, organizada em parceria com o Instituto Camões e a Nef Animation.
Feijó fundou os estúdios Filmógrafo e Ciclope Filmes, produziu os principais filmes de Regina Pessoa e presidiu à ASIFA (Associação Internacional de Cinema de Animação). Regina Pessoa foi, em 2006, a primeira realizadora portuguesa a vencer o Cristal de Melhor Curta-Metragem em Annecy, com "História Trágica com Final Feliz".
Segundo Xavier Kawa-Topor, diretor-geral da Nef Animation, os filmes dos dois realizadores somam mais de 100 prémios em festivais – um percurso que, nas suas palavras, "afirmou o lugar da animação portuguesa no panorama da animação mundial".
O público de La Rochelle teve a oportunidade de rever no grande ecrã obras como: História Trágica com Final Feliz (2005), Kali, o Pequeno Vampiro (2012) e Tio Tomás, A Contabilidade dos Dias (2019), de Regina Pessoa; Os Salteadores (1993) e Fado Lusitano (1995), de Abi Feijó; Nossa Senhora da Apresentação (2016), co-realizado por Abi Feijó, Alice Guimarães, Daniela Duarte e Laura Gonçalves.
Uma nova geração de realizadoras
A par da retrospetiva, o FEMA, em colaboração com a Nef Animation e o Bergamo Film Meeting dedicou uma sessão à nova vaga de realizadoras portuguesas, com seis curtas-metragens do catálogo da Agência:
- Percebes, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves — em 2024, o segundo Cristal de Melhor Curta-Metragem conquistado em Annecy por um filme português, depois de Regina Pessoa em 2006;
- Sopa Fria, de Marta Monteiro;
- O Homem do Lixo, de Laura Gonçalves;
- O Casaco Rosa, de Mónica Santos;
- Porque hoje é sábado, de Alice Eça Guimarães;
- Cão Sozinho, de Marta Reis Andrade.
Para saber mais sobre o percurso internacional de cada uma destas obras ou consultar as respetivas fichas técnicas, visite a secção de Filmes no nosso website.